HISTÓRICO INSTITUCIONAL

O Centro dos Trabalhadores da Amazônia – CTA é uma instituição não governamental, sem fins lucrativos, considerada de utilidade pública municipal conforme Lei no 1096 de 22 de julho de 1993, estadual conforme Lei no 1.127 de 11 de julho de 1994 e federal conforme Decreto de 10 de fevereiro de 1998, publicado no Diário Oficial No 29 de 11/02/1998. Em 2008 completamos 25 anos de trabalhos junto às comunidades extrativistas na Amazônia Ocidental Brasileira.

O CTA foi fundado para atender demandas sociais vinda de comunidades tradicionais sob forte ameaça, em processo de organização com o movimento seringueiro. Este movimento social de base tinha no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapurí sua principal célula de resistência. Foi organizado no fim da década de 70 em função da pressão dos fazendeiros.

Criado em 28 de maio de 1983 o CTA desenvolveu ações voltadas às ações sociais básicas. Concebeu com o Projeto Seringueiro uma proposta adaptada de educação e saúde às comunidades extrativistas. Este projeto recebeu em 1995 o primeiro lugar no premio Itaú UNICEF na categoria Formação Continuada de Professores.Chico Mendes foi a principal liderança desse movimento seu trabalho aglutinou forças em defesa de causas socioambientais.

Contribuir para a promoção de mudanças neste contexto foi o foco principal das ações do CTA na década de 1980, período em que foi estruturado o Programa Educação na Floresta. A idéia central era o desenvolvimento de uma proposta pedagógica adaptada a lógica e linguagem das populações extrativistas. A partir daí com o envolvimento direto do movimento social da época e das comunidades fora possível, sem a presença do estado, a implementação da primeira escola formal e o primeiro posto de saúde nas florestas do Estado do Acre. No início da década de 1990, o CTA já era responsável pelo acompanhamento de 51 escolas e mais de mil crianças matriculadas por ano. Neste mesmo período também acompanhava 32 postos de saúde.

O reconhecimento das Reservas Extrativistas - RESEX e Projetos de Assentamento Agroextrativistas – PAE garantindo às comunidades extrativistas o acesso a terra foi a grande conquista das populações tradicionais com importante participação do CTA

O movimento seringueiro e socioambiental contabilizam hoje, na Amazônia, 120 territórios protegidos abrangendo mais de 22 milhões de hectares, ou 5,4% da floresta, colocados sob o regime de modalidades de conservação de uso sustentável e de reforma agrária, beneficiando em torno de 196 mil pessoas que vivem nesses territórios. Além disso, 73 novas áreas encontram-se em processo de criação, em regiões consideradas prioritárias pelos seus moradores.

Na década de 90 o CTA trabalhou em busca de soluções econômicas para o desenvolvimento destas áreas. Nesta linha desenvolvemos cadeias produtivas com piscicultura, sistemas agroflorestais e atualmente com o manejo florestal comunitário de uso múltiplo. Duas comunidades assessoradas pelo CTA, Porto Dias e São Luis do Remanso, são certificadas pelo sistema FSC, nesta última desenvolvemos um modelo inovador de manejo comunitário adotado hoje como prioritário de replicação do Governo do Estado.

Atualmente, a atuação institucional do CTA vem se dando através de ações de assessoria técnica, política e de formação, objetivando a estruturação de alternativas econômicas e sociais que garantam o desenvolvimento social, econômico e cultural destas populações dentro de um conceito de uso sustentável dos recursos naturais e reforço da identidade sócio-cultural dessas populações.